Princesa Amazona – Parte 4

No post anterior:
De volta às suas origens, a Mulher Maravilha encontra um destino fatal nas mãos do Antimonitor em Crise Nas Infinitas Terras. No entanto, ao invés de morrer, a heroína retrocede no tempo, onde sua história pôde ser recontada de forma diferente, iniciando uma das fases mais celebradas da personagem.



“Enquanto isso, na banda desenhada...” é uma seção que traça um paralelo entre o universo real e o mundo dos quadrinhos, analisando como as duas realidades afetam uma à outra, trazendo informação e estimulando a reflexão acerca dessa 8ª arte.



As Mulheres Maravilha do passado, presente e futuro

Nos anos 90, com o advento da Image Comics – que traziam heróis mais “modernos” e adaptados aos novos tempos – tanto DC quanto a Marvel precisaram correr para se adaptar e manter as vendas. Como os heróis da Image representavam uma modernidade, mas não necessariamente qualidade das histórias, as duas maiores editoras tentaram se nivelar com a Image e acabaram dando origem a um período conturbado na história dos comics, onde o impacto visual se sobressaia às histórias e a qualidade dos comics caiu drasticamente. No caso da DC, que possuía em seus heróis mais conhecidos personagens criados nos anos 40, era difícil imaginar que esses heróis “antiquados” pudessem fazer frente a heróis mais modernos. Como a substituição de Barry Allen, morto em Crise Nas Infinitas Terras, por Wally West havia sido muito bem sucedida, a DC começou a acreditar que substituir seus personagens por versões mais “modernosas” era uma boa idéia, o que acarretou eventos como a morte do Superman, a substituição de Bruce Wayne por Azrael como um Batman muito mais violento, a transformação de Hal Jordan (Lanterna Verde) em um vilão e a subseqüente substituição do título para o inexperiente Kyle Rayner. Como era de se imaginar, a Mulher Maravilha não ficaria de fora dessa nova onda.

Após um arco de história em que as Amazonas ficaram presas num mundo demoníaco, Hipólita retornou com estranhas visões do futuro. Numa dessas visões, ela viu a Mulher Maravilha sendo morta violentamente. A fim de impedir que este destino terrível acometesse sua filha, Hipólita preparou um outro torneio para escolher uma nova Mulher Maravilha, mesmo com a reprovação de sua filha. O resultado foi a substituição de Diana por Ártemis, que tornou-se a Mulher Maravilha até ser morta cumprindo a visão de Hipólita. Após a morte de Ártemis, Diana retornou a ser a heroína.

Após Diana ficar sabendo da verdade sobre sua substituição, não perdoou sua mãe e deixou de falar com ela. Hipólita, por sua vez, devido à relação estremecida com sua filha e a finalmente ter se dado conta que mandara um inocente para a morte, decide por um auto-imposto exílio no mundo dos homens. Mais tarde, Hipólita ficou sabendo que sua filha estava em perigo, mas não conseguiu chegar a tempo de impedir que sua filha fosse morta. Por conta disso Hipólita, arrasada, mas sentindo muito remorso pela morte da filha, decide tomar o manto de Mulher Maravilha e passar a atuar no lugar da heroína.

Esse período de histórias foi importante para acertar uma série de pontas soltas da história da Mulher Maravilha que haviam ficado sem resposta até então. Durante uma aventura em que Hipólita, já atuando como Mulher Maravilha, volta no tempo, ela passa um período atuando ao lado da Sociedade da Justiça na Segunda Guerra Mundial. Isso resolveu o problema da atuação da heroína na Segunda Guerra, e também voltou a vincular a origem de Donna Troy (que fora a Moça-Maravilha, mas agora se chamava Tróia) à de Diana, revelando que a jovem heroína havia se inspirado na Mulher Maravilha dos anos 40 (que era Hipólita quando viajou no tempo).

Durante o período em que esteve morta, Diana recebeu o dom da divindade pelos Deuses Gregos, tornando-se a deusa da verdade, por seu trabalho na Terra e sua devoção às causas nobres. Eventualmente, Diana desistiu de sua divindade e voltou para o mundo dos homens, retomando o manto de Mulher Maravilha.

Após essa fase, muitos outros autores passaram pela revista da Mulher Maravilha, mas um que merece destaque é Greg Rucka. Mesmo seguindo de onde os outros autores haviam parado, Rucka renovou a Mulher Maravilha, mantendo seu conceito de Embaixadora da Paz e sua associação com os deuses, mas utilizando-os dentro de um contexto moderno. Agora víamos a tecnologia, computadores e internet junto com Mitologia Egípcia e Grega, por exemplo. Além disso, Temyschira passou a ser “parte” do mundo dos homens, ao que as Amazonas foram incumbidas de educarem e passarem para os humanos a sabedoria das amazonas. Foi uma fase muito elogiada e até hoje lembrada pelos fãs como uma grande fase da personagem.

Mas o pior ainda estava por vir.


Epílogo: Curiosidades
- O período em que Diana foi substituída por Ártemis foi desenhada pelo brasileiro Marcelo Deodato;
- A morte de Diana e sua subseqüente transformação em Deusa da Verdade não foi publicada no Brasil, assim como sua substituição por Hipólita. Como Hipólita tomou o lugar de Diana na Liga da Justiça, e esta revista era publicada aqui, a editora brasileira da época (Abril) safadamente alterou textos e cortou páginas de várias histórias a fim de fazer parecer que Diana tinha apenas mudado um pouco o uniforme;


A seguir: A mulher moderna dos novos tempos

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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