Deadgirl

Toda geração tem sua história sobre os horrores de amadurecer.




Tema Macabro


Atualmente é comum, principalmente no terror, discorrer sobre os grandes clássicos do gênero e encher a boca para falar como não se fazem mais filmes de terror como antigamente. Embora eu seja um dos que proferem este tipo de sentença, isso não é totalmente verdade. É fato que o cinema mainstream americano hoje acha que filme de terror é apenas filme gore e investe apenas no visual e não numa história competente, mas isso não significa que não existam pérolas que podem vir a se tornar clássicos no futuro.

O grande problema, talvez, seja a falta de originalidade das histórias. Quando não é refilmagem de um filme antigo, é de um filme estrangeiro ou simplesmente é uma história igual à tantas outras que já vimos antes. Mas é bom saber que, de tempos em tempos, os americanos conseguem produzir algo original com um tema que parece ter sido saturado nos últimos anos.

Todo mundo conhece esta história: dois garotos, considerado perdedores na escola, não são lá muito sociáveis e não são bem vistos pelos outros. Um deles é apaixonado por uma linda garota, que é namorada do jogador de futebol da escola. Os dois procuram formas de extravasar sua raiva invadindo lugares abandonados para beber cerveja e destruir coisas. Em uma dessas invasões, adentram uma clínica psiquiátrica abandonada, e vão parar no subsolo do lugar, onde encontram algo: Uma garota morta, nua e presa pelos pés e pelas mãos. A clínica fechou há muito tempo, então os garotos sabem que ela deve estar ali há tanto tempo quanto. E é por isso que eles ficam bastante surpresos quando descobrem que essa garota, que aparentemente está morta, passa a se mover e se comportar como se estivesse viva, embora com um comportamento bastante agressivo. Em vista desta descoberta impressionante, os garotos decidem fazer o que qualquer garoto na idade deles faria: Manter a garota presa e transformá-la no seu objeto sexual.

Mas hein?



Sim, você leu direito. Deadgirl conta a história de dois estudantes perdedores que encontram uma morta-viva presa no subsolo de uma clínica psiquiátrica abandonada e decidem mantê-la assim e transformá-la em seu objeto sexual pessoal. Só a premissa já é suficiente para tornar o filme interessante, diferente e recomendável (ainda que doentio). A má notícia é que, até onde eu sei, o filme ainda não saiu no Brasil, e com certeza não sairá nos cinemas. Então fique de olho nas locadoras, porque se o filme vier pra cá (e imagino que eventualmente virá), certamente será para DVD. Ou caso você tenha TV à cabo, fique de olho nos canais de cinema.

Mas sinto-me na obrigação de dizer (apesar de que pela premissa já parece óbvio) que o filme não é para qualquer tipo de público e pode ser ofensivo para algumas pessoas (principalmente para mulheres, pois as únicas garotas do elenco ou é uma morta-viva ou uma garota superficial). E também, o filme não é perfeito: ele tem alguns furos na história, mas ainda assim é um filme que vale a pena ser visto para quem gosta do gênero, principalmente porque ele possui uma vantagem que é trazida dos grandes clássicos de terror: o drama. Como eu comentei no primeiro post dessa coluna, as grandes histórias de terror são, em essência, grandes dramas vistas sob uma ótica pessimista (não confunda com emo) e perturbadora, e Deadgirl não é exceção. Por isso o filme vale a pena ser visto e merece figurar nesta coluna.



Na Próxima Madrugada:
Nem todas as boas histórias de terror são longas metragens, livros, HQs ou games. Descubra o mundo das animações de terror na próxima semana em Terror Animado.

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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