Maldições - Histórias

“Mesmo que de puro coração o homem
Que faz suas preces à noite
Pode se transformar num lobisomem
Quando o veneno do lobo emerge
E a lua de outono resplandece”

The Wolfman (adaptação livre do original em inglês)





Tema Macabro




Como não podia deixar de ser, o mito do Lobisomem logo seria tema de muitas obras de ficção. O mais antigo que se conhece vem do poema The Satyricon do grego Petronius, mas as primeiras histórias de ficção relacionadas ao mito como o conhecemos vem dos romances europeus medievais, dos quais podemos citar o romance The Phantom Ship. A história na verdade trata do Holandês Voador (conhecido navio fantasma holandês), mas o capitulo The White Wolf of the Hartz Mountains, nos apresenta um lobisomem. No século XIX, a literatura gótica de horror incorpora os elementos das lendas de lobisomens e adiciona novos. Destes podemos citar o romance britânico Wagner the Wehr-Wolf (1847) de G. W. M. Reynolds, os franceses The Wolf-Leader de Alexandre Dumas e Hugues-le-Loup, de Erckmann-Chatrian.

Mas o verdadeiro boom dos lobisomens na ficção se deu com o advento do século XX, onde as criaturas protagonizaram diversos livros e posteriormente filmes. As HQs pulp dos anos 20 aos 50 trouxeram inúmeras histórias de lobisomens. Na literatura, o destaque vai para a obra americana de 1933 The Werewolf of Paris de Guy Endore, que é considerado por muitos o Drácula (de Bram Stocker) dos Lobisomens. Whitley Strieber foi outro autor que abordou o tema, com suas obras The Wolfen (1978) e The Wild (1991)

O primeiro filme a tratar do lobisomem antropomórfico lendário foi Werewolf of London, de 1935, produzido pelos estúdios Universal (que também fazia sucesso com outros monstros, como Frankenstein), seguido do mais conhecido (e hoje considerado um clássico) The Wolf Man, de 1941 (que conta com um dos “arroz de festa” dos filmes de terror Bela Lugosi). Os estúdios Hammer também fizeram sua versão do mito em The Curse of the Werewolf, que adapta o romance de Guy Endore.






A partir daí, muitas outras obras relacionadas ao tema se seguiram nos mais diversos meios, entre os quais podemos citar outras obras da Universal (como Frankenstein Meets the Wolf Man, de 1943 e She-Wolf of London, de 1946), Grito de Horror (The Howling, de 1981) de Joe Dante, o clássico indiscutível Um Lobisomem Americano em Londres e sua sequência, Um lobisomem Americano em Paris (que tem muito pouco ou nada a ver com o original) e Lobo, de 1994 (protagonizado por Jack Nicholson)





Também podemos lembrar, é claro, das diversas versões e aparições em episódios de séries de TV como Arquivo X (que também traz uma versão do mito nativo americano do Skin-walker) e nos quadrinhos, tanto protagonizando séries próprias quanto aparecendo esporadicamente em histórias diversas (com destaque para a história “The Curse”, escrita por Alan Moore para a revista do Monstro do Pântano que é protagonizada por uma mulher lobisomem). Em RPG, o mito do Lobisomem é largamente explorado em aventuras como Lobisomem: O Apocalipse e Lobisomem: Os Destituídos.



Lobisomens também foram inspiração para diversas bandas em músicas como Of Wolf And Man (Metallica), Bark at the Moon (Ozzy Osbourne), Full Moon (Sonata Arctica), Moonspell (Wolfshade e Full Moon Madness), Megadeth (She-Wolf), Danzig (Killer Wolf), Mothorhead (In the Year of the Wolf) e Type O Negative (Wolf Moon), só para citar alguns (dos muitos).




Curiosidades:
- Segundo alguns especialistas, O Médico e o Monstro, de Robert Lewis Stevenson possui, nas entrelinhas, um contexto relacionado ao mito do Lobisomem;
- O capítulo de The Phantom Ship sobre um Lobisomem trata na verdade um uma versão feminina do mito (possivelmente a primeira);
- Antes que eu me esqueça, Chapeuzinho Vermelho está entre as obras mais conhecidas que se utilizam de um lobisomem (embora no caso não estejamos falando de uma versão maldita da lenda).



Na próxima Madrugada:
Numa época de Vampiros e Zumbis, ainda há lugar para os lobisomens no imaginário popular e na ficção? Isto é o que veremos na última parte dessa sequência, Maldições – Hoje.

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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