Os arquivos X – Trajetória

“Não confie em ninguém”





Tema Macabro




Embora seja considerada uma série Sci-fi, Arquivo X flertava com uma diversidade de gêneros, sendo o terror um dos principais gêneros abordados, junto com a própria ficção científica. Talvez por isso a série tenha sido um fenômeno tão grande durante a década em que foi lançada. Embora muitas séries depois tentarem seguir os mesmos passos na tentativa de repetir o sucesso de Arquivo X, apenas Lost conseguiu ser um fenômeno tão grande quanto (mas vale lembrar que Arquivo X é de uma época em que a Internet estava em seu início e não contava com o apelo de hoje).


Mas o caminho para o sucesso não aconteceu da noite para o dia. De fato, a Primeira Temporada da série não foi lá tão bem de audiência assim, principalmente devido aos seus temas obscuros e os finais de episódios que nunca ofereciam uma solução para o que havia sido apresentado. Com muita insistência, Chris Carter conseguiu convencer o estúdio a investir numa segunda temporada, mas não sem ter que enfrentar diversos problemas para manter a história funcionando.

O principal desses problemas, no entanto, não eram possíveis furos de roteiros, linearidade da história ou pressão dos executivos por histórias mais “acessíveis”, e sim um dos protagonistas. Gillian Anderson, que interpretava a agente Dana Scully ficara grávida, o que impediria sua aparição durante grande parte da segunda temporada. Como fazer a série funcionar sem uma das protagonistas principais? A Fox queria que Carter colocasse outros atores para interpetar os personagens, mas o criador se recusou. A resposta para Chris Carter então foi fazer disso parte da história, e assim a Segunda Temporada de Arquivo X se iniciou com um episódio duplo que trouxe novos mistérios e acarretou no desaparecimento de Scully, que só retornou no oitavo episódio da temporada. Este evento mudou completamente o rumo da série, e permitiu que ela continuasse por muito tempo. Agora, Scully não era mais antagonista de Mulder, e sim sua aliada. Apesar de continuar com seu ceticismo, a agente agora se tornara mais próxima de Mulder, e mais simpática com a causa do parceiro.



A Terceira Temporada consegue expandir consideravelmente a mitologia da série. Agora já estabelecida entre o público e ganhando as graças do estúdio, era possível soltar mais e mais mistérios que seriam deixados para serem explicados adiante, mas também havia a vantagem de um maior orçamento, que possibilitou também explicações (ou o mais próximo disso que a série se permitira) e aparições mais “explícitas” dos aliens. A conspiração se torna cada vez mais complexa, colocando inclusive o pai de Mulder como parte fundamental dela. Além disso, o envolvimento do governo americano na conspiração e no encobrimento da verdade sobre os discos voadores se torna cada vez mais evidente.



Enquanto a terceira temporada foca-se nas conspirações, a Quarta Temporada se torna mais dramática quando a história explora uma forma de câncer desenvolvido por Scully, provavelmente em decorrência de sua abdução na segunda temporada. Isso leva Mulder perto do limite, na busca desesperada pela cura para sua parceira, enquanto se depara com mais conspiração, o óleo negro (suposta substância alienígena que dominava as pessoas) e sua irmã desaparecida (que se provaram, mais tarde sendo farsas).



Mas uma grande – e surpreendente – reviravolta faz da Quinta Temporada uma das mais inesperadas de todas. Após conseguir curar sua parceira, Mulder se envolve num caso que deveria finalmente provar a existência de vida extraterrestre, mas a conclusão do caso é justamente o oposto: Agora Mulder tinha provas irrefutáveis de que, de fato, não existiam alienígenas. Tudo o que Mulder buscava não passava de um engodo, propositadamente perpetrado pelo governo para encobrir suas atividades escusas e antiéticas. Discos voadores, a abdução de Scully, os aliens greys e tudo o mais, nada disso era de outro planeta. Eram tudo parte de experimentos secretos governamentais. Tal descoberta levou Mulder a uma outra direção, passando de crente a totalmente cético com relação ao fenômeno OVNI. Obviamente, suas crenças voltam à tona quando outras investigações colocando em cheque suas descobertas recentes. Um garoto, jovem jogador de xadrez e que pode ler mentes pode ser a chave para tudo aquilo que Mulder sempre buscou, e muito mais. Esta temporada marca um ponto importante na série, pois termina com a desativação dos arquivos X (que já havia acontecido outras vezes na série) e a completa destruição de todos os arquivos até agora reportados pelos agentes.



A fim da quinta temporada leva diretamente à Arquivo X – O Filme, que foi lançado nos cinemas no verão americano, entre a quinta e a sexta temporada.

Curiosidades:
- O Político Richard Matheson, “amigo” de Mulder que apareceu na segunda temporada é uma homenagem ao autor homônimo;
- Um dos episódios da terceira temporada conta com a aparição de um jovem ator chamado Jack Black;
- Um episódio da quarta temporada, que conta a “origem” do Canceroso é inspirada na HQ Lex Luthor: Uma Biografia Não-Autorizada;
- Um dos episódios da quinta temporada é escrito por Stephen King, e coloca uma curiosa situação de inversão de papéis, onde Mulder é o cético e Scully a crente.


Na próxima Madrugada:
Nem sempre o fim encerra alguma coisa. Muitas vezes, ele é o começo de outra. Na próxima semana, Os Arquivos X – Recomeços.

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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