Millennium

...A não iniciada percepção do tempo sem apreço pelo início.
E sem entendimento do fim.
Para eles, tempo é uma comodidade infinita
Nós sabemos mais e nós não desperdiçaremos um segundo sequer.
Isto é o que somos



Tema Macabro



Atualmente, a grande maioria das pessoas não conhece o nome de Chris Carter, mas ele foi o responsável por um dos maiores fenômenos dos anos 90 na TV americana, a série Arquivo X (que inclusive teve um novo longa-metragem recentemente). Mas o que pouca gente sabe é que Chris Carter foi também o responsável pela criação de uma das mais brilhantes – e assustadoras – séries já realizadas: Millennium.

Millennium traz a história de Frank Black, um ex-agente do FBI que decidiu escapar da violência e horror do mundo em que vivia em seu trabalho para ter uma vida feliz com sua esposa e filha. Apesar de aposentado, por assim dizer, continuou seu trabalho de campo quando convidado a fazer parte do Grupo Millennium, uma organização formada pelos melhores ex-agentes do FBI, CIA e outras organizações, e que presta consultoria para a polícia em casos extremamente complicados, principalmente relacionados a crimes em série. Frank era um conhecido “criador de perfis” (agentes experientes especializados em entender as motivações de um criminoso, e assim tentar antecipar os passos do mesmo). Sua habilidade era tanta que aquilo era praticamente um dom, como se ele pudesse “ver com os olhos do criminoso” (mais tarde foi revelado que isso era realmente um dom sobrenatural). Basicamente, a premissa era essa. Mas a série era muito mais.

De uma maneira que poucas vezes se vê na TV para o grande público, Millennium penetrava fundo na psique de assassinos psicóticos, seriais e crimes dos mais bizarros, nos trazendo, de maneira cruel, complexa e assustadora, uma visão bastante realista de mundo, sem grandes conspirações ou motivações intelectuais por trás de feitos macabros (ou pelo menos era assim no início). Apenas uma insanidade vinda da própria natureza humana que, não só é complicado entender, como explicar também. Era uma série densa, apavorante e perturbadora. Definitivamente não era para qualquer um.

Millennium teve três temporadas, de 1996 a 1999, mas cada uma delas foi completamente diferente da outra. Na primeira temporada, o foco principal eram os assassinatos seriais, suas motivações e como esse horror afetava Frank em sua vida pessoal e o que isso fazia à sua própria mente. Nesta temporada, a série não lidou com nada paranormal, embora tenha, em alguns episódios, “filosofando” sobre o mal como um conceito metafísico. Para um olhar mais atento, é possível dizer que existia uma tendência sobrenatural na primeira temporada, embora ela fosse muito sutil e ficasse nas entrelinhas, coisa que era muito comum na série.



Já na segunda temporada, o sobrenatural ficou mais evidente e passou a fazer parte da série constantemente. A natureza do grupo Millennium foi ligeiramente modificada para se assemelhar com Arquivo X (que era mais popular). Foi revelado então que o Grupo Millennium era uma espécie de sociedade secreta ancestral que buscava formas de apressar o “Milênio” (como eles chamavam o fim dos tempos), que aconteceria na virada do ano 2000. Com isso, a mitologia da série começou a ser construída, mas a série ficou um pouco menos densa, mais fácil de ser entendida (e digerida) e mais “no nível do público comum”, por assim dizer.



A terceira temporada contou com uma grande mudança no status quo da série, com a morte de personagens importantes e uma nova vida para Frank Black. Nessa temporada, os produtores tentaram mesclar os elementos sobrenaturais e a mitologia estabelecida na segunda com a densidade e complexidade da primeira. O resultado foi uma temporada confusa, e que só fazia sentido para quem era fã da série desde o início. O ponto positivo é que a série voltou a ser tão perturbadora quanto era em sua primeira temporada, e o uso de elementos sobrenaturais, sempre utilizados com cautela, tornava tudo ainda mais assustador.
Apesar de três temporadas completas, a série nunca teve um final definitivo.




É possível encontrar episódios isolados da série em DVD e inclusive as temporadas completas (Aqui no Brasil só encontrei a primeira e a segunda temporada), e é uma série difícil de conseguir pela internet.

Com certeza uma série recomendadíssima para quem não gosta de mesmice e tem a cabeça no lugar (porque, sério, ela é realmente perturbadora, não recomendo para pessoas de cabeça fraca). Mas, se vocês não gostam de séries em que vocês precisam prestar muita atenção e assistir mais de uma vez para sacar todos os detalhes da história, passe longe. Millennium não é para os fracos, para os medrosos, nem para os que não gostam de pensar.


Curiosidades:
O protagonista da série, Lance Henricksen, é mais conhecido por seu papel na série Alien;
Um dos coadjuvantes da série, Terry O’Quinn hoje é mais conhecido como o John Locke, na série Lost;
Millennium estreou em 1996, e os produtores pretendiam 4 temporadas com a série. Se você fez as contas, ela deveria terminar exatamente no ano 2000, quando o mundo supostamente acabaria. Infelizmente, a série foi cancelada em sua terceira temporada, e o fim do mundo nunca aconteceu.
A série ainda teve um crossover com a série de maior sucesso de Chris Carter, Arquivo X. A história se passava na virada do ano 2000 e era basicamente para dar um fim digno à série. Mas ficou apenas como um episódio pra matar a saudade de Frank Black e sua filha.
Hoje a série é recomendada por professores de faculdades forenses e de psicologia americanas, devido não só ao conteúdo, mas ao cuidado com o qual ela tratava a questão psicológica e as motivações dos assassinos.
Existe um curioso arco de histórias que encerra a segunda temporada da série, que lida com um tipo de vírus transmitido por aves que é na verdade um vírus criado pelo grupo Millennium para exterminar parte da humanidade. Ao final da temporada, o pânico generalizado e o contexto leva a crer que o vírus irá realmente exterminar a maior parte da população. Mas, quando a temporada recomeça, descobrimos que foi apenas um surto local, e que a mídia havia exagerado. Qualquer coincidência com acontecimentos atuais é (pelo menos à princípio) mera conicidência...
O toque de mensagem do meu celular é o tema de abertura da série (o toque de chamadas é o tema do Arquivo X).

Na próxima Madrugada:
Ele cuida dos Pântanos da Lousiana....Onde tudo aquilo que é escondido da humanidade acontece. Na próxima semana, começa uma série de posts sobre um dos mais conhecidos personagens dos quadrinhos de Terror: O Monstro do Pântano.

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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