Kingdom Hospital

Tempo é a maneira de a natureza evitar que tudo aconteça de uma vez.
Kingdom Hospital





Tema Macabro:




Stephen King é um autor estranho. Não digo como indivíduo, pois ele parece ser até bem normal, mas no que tange as suas histórias mesmo. Já comentei em outros posts que uma das características que mais admiro no autor é a habilidade dele de colocar pessoas e situações comuns dentro de um contexto fantástico. Outra das suas qualidades é o desenvolvimento de personagens peculiares, sempre com características próprias e singulares, e não raro cheio de maneirismos estranhos e neuroses variadas. Se ver uma adaptação de algo de Stephen King já é algo imprevisível de se imaginar (até que se esteja pronto), imagina então quando o autor decide criar uma série a partir de uma história produzida por outra figura carimbada e controversa, Lars Von Trier? O resultado é Kingdom Hospital.

O cineasta Lars Von Trier, conhecido pelo drama Dançando no Escuro (mais conhecido como “o filme da Bjork”) e o recente (e polêmico) Anticristo, criou para a televisão dinamarquesa uma minissérie em 8 capítulos chamada Riget (Reino, em dinamarquês), que trazia um hospital onde pacientes e funcionários lidavam com diversos tipos de incidentes variados, naturais e sobrenaturais. Com a ajuda de Stephen King, a minissérie foi levada aos EUA em DVD com o nome de “The Kingdom”. Anos mais tarde, o autor decidiu fazer uma versão americana da minissérie, trazendo seu toque pessoal à trama e ampliando-a, surgindo assim Kingdom Hospital.

A história se passa no presente em um hospital, chamado Kingdom, construído em um local onde houve dois terríveis incêndios. O primeiro aconteceu durante a Guerra da Secessão, quando no local se situava uma fábrica de uniformes militares e onde parte da força de trabalho era de crianças que viviam em situação precária. Quase todas morreram no incidente. O segundo, ocorrido quando o local já havia dado lugar a um hospital onde um médico inescrupuloso realizava experimentos em seus pacientes. Devido às turbulências ocorridas no passado, o hospital Kingdom carrega uma atmosfera sinistra e tensa, e revela doenças da alma que médicos não podem resolver.

A série se passa em sua maior parte no próprio hospital e tem como protagonistas, além dos médicos e outros funcionários do hospital, pacientes que acabam se envolvendo com as estranhas criaturas que passeiam por lál. Kingdom Hospital teve 13 episódios e pode ser encontrada aqui em DVD.




Apesar de num primeiro momento parecer uma típica história de casa mal-assombrada (no caso, hospital mal-assombrado), ao assistir a série percebemos que ela é bem mais do que isso. Além de apostar em subtramas que, ora trazem situações mais “reais” e típicas de um hospital, ora cenas cômicas e bizarras, a história também cria uma mitologia que envolve garotinhas fantasmas, sonhos, forças da natureza e, como não poderia deixar de ser, entidades malignas. Adicione à essa equação os personagens peculiares típicos de uma história de Stephen King, uma trilha bacana e cenas surreais e temos uma das histórias mais estranhas e inusitadas que já foram produzidas. Não é, definitivamente, algo “pop”, e é preciso bastante esforço para apreciar a série, mas quem puder conferir, o esforço provavelmente valerá a pena.


Curiosidades:
- Riget, a minissérie que originou Kingdom Hospital, teve na verdade 4 episódios inicialmente. Mas a história deixou tantas pontas soltas que Lars Von Trier teve que retomar a série com mais 4 episódios para fechar tudo;
- Um dos personagens da trama, um artista que sofre um acidente grave e precisa ser internado no Kingdom, possui boa parte de sua história inspirada nas próprias experiências de Stephen King quando este sofreu um acidente de carro e ficou semanas internado em um hospital;
- Quem é fã de King e gosta de ficar catando referências à outras obras do autor (coisa que ele faz com freqüência em suas histórias), a série possui inúmeras, desde locais que são vistos em outras livros, citações de personagens de outras obras até os próprios livros, em que personagens aparecem lendo em diversas ocasiões durante o decorrer da série.


Na Próxima Madrugada:
Um acidente científico traz uma das mais assustadoras histórias do cinema. Na próxima semana, A Mosca.

Nome do Autor

Rafael Rodrigues

Filósofo, redator publicitário, promotor da ciência, roteirista de quadrinhos, professor de informática e pseudoblogueiro. Um homem que gosta de coisas simples, como Quadrinhos, Cinema e Ciência. Sabe, coisas normais.

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